Painel coletivo da ZIV é portal para o mundo amazônico

Painel coletivo da ZIV é portal para o mundo amazônico

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Obra de arte coletiva mobilizou 16 artistas. Foto: Evandro Macedo

Senhores passageiros, apertem os cintos – e soltem a imaginação – para esta viagem pela Amazônia, em plena capital paulista. Vamos passear pelo painel coletivo da ZIV Gallery: “Amazônia, seu povo, sua flora e fauna”.

Quando se vem da rua Harmonia, entrando pela viela do Beco do Batman, após inúmeros grafites exuberantes na forma, na cor, nas referências e no estilo, uma janela de vidro, no meio do maior grafite do local, deixa ver no interior da construção recente, uma parede gigantesca, passando de um andar para outro com um menino indígena iluminado pela mata, banhado pela lua, ao lado de uma índia-mãe com seu bebê e de uma deusa Gaia, a própria Mãe-Terra, alimentando seus rebentos.

O olhar sobe, encontra referências botânicas de folhas, mais uma índia, uma “abespa” (mistura de vespa com abelha). Há maraca do povo Baniwa, coração de madeira queimado, macaco, o personagem folclórico brasileiro curupira em ambiente pictórico, o salto do boto-cor-de-rosa, o olhar e as impressões digitais da identidade brasileira, arara vermelha, a mão dos indígenas com o guaraná nativo, o peixe amazônico tucunaré em meio a grafismos inspirados em joias indígenas e no alto da tela, mais perto do céu, as sensações de viver mais perto da natureza.

A viagem é longa e com as luzes do dia e da noite, a obra muda de cor e atmosfera. Cada momento gera um insight, uma observação diferente, especialmente se você muda o ângulo de partida, sobe as escadas ou se posiciona no andar superior. Há sempre um prisma novo para descobrir nesse passeio pela arte, pela Amazônia, pela visão dos artistas e pela mistura disso tudo com as experiências de cada observador.

Artistas participantes do painel coletivo

Caio Bless, Chermie Ferreira, Felipe Lanzas, Sapiens Questione, Paullo Flecha, Ilka Lemos, Marcela Rodrigues, Rodrigo Trompaz, Fernanda Yamamoto, Izu, Renato, Joks Johnes, Mirs Monstrengo, Michele Micha, Rocha, Tom WrayClique nos nomes para acessar o Instagram dos artistas.

 

O poder de uma obra de arte coletiva

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Há sempre um novo prisma para descobrir

Era para ser uma instalação e nasceu um painel imponente de mais de 40 metros quadrados, conectando o Beco do Batman à ZIV Gallery e vice-versa. Uma obra de arte coletiva sobre “Amazônia, seu povo, sua flora e fauna”, com exaltação e crítica.

Reunir 16 artistas não foi uma tarefa fácil para a galeria e exigiu planejamento artístico e operacional, em conjunto com os criadores.

A ZIV Gallery fez a proposta do tema e os artistas encaminharam seus esboços. A curadoria fez a composição digital das obras e optou por um design em forma de totem-palmeira: estrutura estética onde se cria um eixo central com pesos e volumes simétricos para equilibrar a mensagem. Nas laterais direita e esquerda estende-se a mesma técnica criando uma composição harmônica, desvenda Evandro Macedo, curador da ZIV Gallery. “Os artistas propuseram um caminho estético e fizemos a composição racional. Tudo foi pensado: quais os pesos, cores, espaço para produzir.”

Na realização da obra, tomou-se enorme cuidado no planejamento de cada pintura para manter o distanciamento social por questões sanitárias.

Cada criador recebeu indicação de onde fazer sua pintura e o painel foi nascendo e criando forma com a generosidade criativa dos participantes. “Devido ao diferencial absurdo colaborativo, os artistas foram fazendo pontes, fechamentos e junções entre obras. Uma arte ia entrando na outra por escolhas de tons, nuvens, formas para conseguir junções perfeitas”, explica Macedo.

Ao final, o último artista a pintar, percebeu a necessidade geral da obra e encerrou os fechamentos necessários com elementos etéreos, como sombra e luz, onde viu necessidade.

“O mural foi coletivo tanto pela composição de vários estilos artísticos, como, principalmente, pela interação e cooperação entre os criadores”, analisa Helder Kanamaru, sócio da ZIV Gallery. “Foi uma aula de generosidade e criatividade.”

 

Encantamento em forma de arquitetura

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Arquitetura adotada permite integração de espaços e a produção de grandes obras

Todo o percurso criativo do mural coletivo da ZIV Gallery só é possível porque a arquitetura adotada permite integração de espaços, potencialmente pequenos, transformados em áreas apoteóticas.

As escolhas arquitetônicas trazem verticalidade para o centro do prédio, integram andares, quebram formatos convencionais e fazem a conexão dos grafites externos com os quadros, instalações e o longilíneo painel coletivo interno.

“É como se o Beco do Batman continuasse galeria adentro. Ao mesmo tempo, de todo ponto você enxerga o mural e a arquibancada construídos”, explica a arquiteta Vanessa Feres, responsável pelo projeto da ZIV Gallery.

Conheça o painel sobre a Amazônia da ZIV Gallery. A ZIV é uma galeria de arte contemporânea, localizada no Beco do Batman, cujo propósito é criar oportunidades e gerar transformações com arte!

Fernanda Yamamoto e o diálogo entre moda, esportes e arte

Fernanda Yamamoto e o diálogo entre moda, esportes e arte

Fernanda Yamamoto faz uma arte delicada sobre empoderamento

Todos os caminhos levavam Fernanda Yamamoto ao mundo da moda: a infância desenhando e criando roupas para bonecas, sua experiência com corte e costura, o convívio com as avós – ambas costureiras da família -, a faculdade de Moda, entre tantas outras coisas.

Entretanto, a pandemia e a paixão por esportes, além da aridez do universo fashion, deram uma guinada na visão de mundo da artista. “Fiz faculdade pensando em ser estilista, mas lá veio o choque de realidade. Estilista é muito mais para resolver B.O.’s. O mercado é muito injusto e duro. No fim, me apaixonei por ilustração e migrei para o designer têxtil, para desenhar estampas para tecidos”, explica em entrevista à ZIV Gallery.

Os quadros, em tons pastéis, com referências ao mar, ao surf, ao skate e retratando a natureza não são por acaso. Fernanda leva para a arte seus sentimentos quando está surfando, andando de skate e em contato com a natureza.

Há mais de um ano, a designer de 26 anos começou a surfar e cada momento de aprendizado, além de vitória pessoal, se torna uma possibilidade artística. “Surf é como uma meditação, é inspiração, mas também, como todo esporte é empoderador, especialmente para mulheres porque é um desafio ser uma mulher no mar. São poucas e não é fácil. Gosto da ideia de ser e retratar mulheres fortes, desafiadoras e praticantes de esportes, nenhum pouco preocupadas em estar ali para ter um corpo bonito, mas porque faz sentido para elas”, descreve.

“Eu faço uma arte delicada, com tons pastéis, e também fala sobre empoderamento”.

Além da relação com o surf, ela anda de skate e, igualmente, sente a dificuldade de ser uma mulher praticando o esporte. “Surf, skate e outros esportes são lugares em processo de conquista ainda. Às vezes, na força. Muita coisa está sendo conquistado mas tem muito chão pela frente. Tudo isso é background para o meu trabalho artístico na ZIV Gallery”, afirma.

 

Fernanda Yamamoto: a escrita antes da pintura

Obra de Fernanda Yamamoto

Fernanda inspira-se nas experiências junto à natureza para criar suas obras

Antes de um quadro nascer – ou uma pintura em madeira ou parede – Fernanda busca refletir sobre suas experiências na natureza, especialmente no mar, depois escreve sobre os sentimentos, escolhe palavras-chave passíveis de criar elementos visuais e vai construindo a composição artística.

O rascunho começa em softwares de criação de imagens e depois vai para o papel. A designer busca referências, faz pesquisas e começa o processo de pintura, com uma paleta de cores pastéis, menos saturadas.

“Não consigo viver sem escrever”, confidencia. Então, naturalmente, a escrita foi parar no processo de criação artística de Fernanda.

 

Respiro na vida

Enquanto a moda muitas vezes responde às influências do mercado e às questões comerciais, a arte é um respiro para Fernanda. “Arte representa vida, respiro, fuga, segurança e liberdade ao mesmo tempo”. Sem deixar de ser, em alguns momentos, lugar de confronto, frustração e sofrimento, lembra também.

Na pandemia, começou a refletir sobre a arte como via de expressão, não apenas como questão comercial, como viu na faculdade. “Tenho buscado a linha de artes visuais e expressão, tentado encontrar meu traço, os meus sentimentos a transmitir”, conta.

Obra de Fernanda Yamamoto

A artista participou do painel coletivo da ZIV Gallery

 

No final do ano passado, foi convidada para fazer parte do painel coletivo da ZIV Gallery e aceitou o desafio de trabalhar em um suporte diferente – a parede da galeria. “Fui direto do trabalho para a ZIV, trabalhei o tema da Amazônia, ao lado de artistas incríveis. Fico sempre chocada com os artistas. Trabalhar ao lado de Sapiens, Ilka, Marcela foi um orgulho… admiro todos. Fiquei honrada e o resultado foi inacreditável.”

No dia a dia, a artista busca referências para seu trabalho em Henri Matisse, Beatriz Milhazes, Conrad Roset, além de uma série de ilustradoras botânicas.

Antes de todos esses artistas, Fernanda se inspirou no trabalho das avós Nina e Noemi, costureiras da família. “Desde pequena, gostei de desenhar. Pegava retalhos, sobras de tecidos, rendinhas para fazer roupinhas para as bonecas. Era uma criança caseira. Criava da minha cabeça e cortava no olho as roupas, costurava e inventava historinhas com as bonecas”.

Hoje, com arte e liberdade, trocou a costura por skate, prancha, quadros, madeiras, paredes, computador e passou a criar pinturas sobre a natureza e os desafios femininos, além de fazer estampas para tecidos com o objetivo de iluminar o mundo.

Conheça as obras de Fernanda Yamamoto na ZIV Gallery.  A ZIV é uma galeria de arte contemporânea, localizada no Beco do Batman, cujo propósito é criar oportunidades e gerar transformações com arte!

 

Galeria de obras de Fernanda Yamamoto:

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