No Dia Mundial da Arte, vamos passear por uma obra de arte coletiva

No Dia Mundial da Arte, vamos passear por uma obra de arte coletiva

obra de arte coletiva

Painel integra Beco do Batman à ZIV Gallery

Neste 15 de abril, Dia Mundial da Arte, a ZIV Gallery homenageia as expressões artísticas e seus interlocutores contando um pouco da criação do painel Amazônia, seu povo, sua flora e fauna”, uma verdadeira obra de arte coletiva.

Além da equipe da galeria, 16 artistas trabalharam conjuntamente no mural, com uma agenda escalonada para garantir o distanciamento sanitário necessário em tempos de pandemia.

O trabalho durou 40 dias e resultou em um painel de mais de 40 metros quadrados, fazendo a integração do Beco do Batman à ZIV Gallery e vice-versa.

Não podemos esquecer: o Dia da Arte marca o nascimento de Leonardo da Vinci, em 15 de abril de 1452. A data foi criada pela Associação Internacional de Arte (IAA) para promover a conscientização da atividade criativa no mundo.

“A arte diz o indizível, exprime o inexprimível, traduz o intraduzível”, ensina Leonardo da Vinci.

 

Portal para o mundo amazônico

obra de arte coletiva

Obra de arte coletiva mobilizou 16 artistas. Foto: Evandro Macedo

Senhores passageiros, apertem os cintos – e soltem a imaginação – para esta viagem pela Amazônia, em plena capital paulista.

Quando se vem da rua Harmonia, entrando pela viela do Beco do Batman, após inúmeros grafites exuberantes na forma, na cor, nas referências e no estilo, uma janela de vidro, no meio do maior grafite do local, deixa ver no interior da construção recente, uma parede gigantesca, passando de um andar para outro com um menino indígena iluminado pela mata, banhado pela lua, ao lado de uma índia-mãe com seu bebê e de uma deusa Gaia, a própria Mãe-Terra, alimentando seus rebentos.

O olhar sobe, encontra referências botânicas de folhas, mais uma índia, uma “abespa” (mistura de vespa com abelha). Há maraca do povo Baniwa, coração de madeira queimado, macaco, o personagem folclórico brasileiro curupira em ambiente pictórico, o salto do boto-cor-de-rosa, o olhar e as impressões digitais da identidade brasileira, arara vermelha, a mão dos indígenas com o guaraná nativo, o peixe amazônico tucunaré em meio a grafismos inspirados em joias indígenas e no alto da tela, mais perto do céu, as sensações de viver mais perto da natureza.

A viagem é longa e com as luzes do dia e da noite, a obra muda de cor e atmosfera. Cada momento gera um insight, uma observação diferente, especialmente se você muda o ângulo de partida, sobe as escadas ou se posiciona no andar superior. Há sempre um prisma novo para descobrir nesse passeio pela arte, pela Amazônia, pela visão dos artistas e pela mistura disso tudo com as experiências de cada observador.

Artistas participantes

Caio Bless, Chermie Ferreira, Felipe Lanzas, Sapiens Questione, Paullo Flecha, Ilka Lemos, Marcela Rodrigues, Rodrigo Trompaz, Fernanda Yamamoto, Izu, Renato, Joks Johnes, Mirs Monstrengo, Michele Micha, Rocha, Tom WrayClique nos nomes para acessar o Instagram dos artistas.

 

O poder de uma obra de arte coletiva

obra de arte coletiva

Há sempre um novo prisma para descobrir

Era para ser uma instalação e nasceu um painel imponente de mais de 40 metros quadrados, conectando o Beco do Batman à ZIV Gallery e vice-versa. Uma obra de arte coletiva sobre “Amazônia, seu povo, sua flora e fauna”, com exaltação e crítica.

Reunir 16 artistas não foi uma tarefa fácil para a galeria e exigiu planejamento artístico e operacional, em conjunto com os criadores.

A ZIV Gallery fez a proposta do tema e os artistas encaminharam seus esboços. A curadoria fez a composição digital das obras e optou por um design em forma de totem-palmeira: estrutura estética onde se cria um eixo central com pesos e volumes simétricos para equilibrar a mensagem. Nas laterais direita e esquerda estende-se a mesma técnica criando uma composição harmônica, desvenda Evandro Macedo, curador da ZIV Gallery. “Os artistas propuseram um caminho estético e fizemos a composição racional. Tudo foi pensado: quais os pesos, cores, espaço para produzir.”

Na realização da obra, tomou-se enorme cuidado no planejamento de cada pintura para manter o distanciamento social por questões sanitárias.

Cada criador recebeu indicação de onde fazer sua pintura e o painel foi nascendo e criando forma com a generosidade criativa dos participantes. “Devido ao diferencial absurdo colaborativo, os artistas foram fazendo pontes, fechamentos e junções entre obras. Uma arte ia entrando na outra por escolhas de tons, nuvens, formas para conseguir junções perfeitas”, explica Macedo.

Ao final, o último artista a pintar, percebeu a necessidade geral da obra e encerrou os fechamentos necessários com elementos etéreos, como sombra e luz, onde viu necessidade.

“O mural foi coletivo tanto pela composição de vários estilos artísticos, como, principalmente, pela interação e cooperação entre os criadores”, analisa Helder Kanamaru, sócio da ZIV Gallery. “Foi uma aula de generosidade e criatividade.”

 

Encantamento em forma de arquitetura

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Arquitetura adotada permite integração de espaços e a produção de grandes obras

Todo o percurso criativo do mural coletivo da ZIV Gallery só é possível porque a arquitetura adotada permite integração de espaços, potencialmente pequenos, transformados em áreas apoteóticas.

As escolhas arquitetônicas trazem verticalidade para o centro do prédio, integram andares, quebram formatos convencionais e fazem a conexão dos grafites externos com os quadros, instalações e o longilíneo mural interno.

“É como se o Beco do Batman continuasse galeria adentro. Ao mesmo tempo, de todo ponto você enxerga o mural e a arquibancada construídos”, explica a arquiteta Vanessa Feres, responsável pelo projeto da ZIV Gallery.

Conheça o painel sobre a Amazônia da ZIV Gallery. A ZIV é uma galeria de arte contemporânea, localizada no Beco do Batman, cujo propósito é criar oportunidades e gerar transformações com arte!

Para Ilka Lemos, a arte salva em momentos tão difíceis da vida

Para Ilka Lemos, a arte salva em momentos tão difíceis da vida

Ilka Lemos

Ilka Lemos, senhora de sua arte e de seu destino

Escultora, pintora, fotógrafa, escritora, mãe e avó, entre tantos papéis, Ilka Lemos aos 63 anos é senhora de seu destino. Ilka é múltipla, tem muitas faces, é muitas em uma só.

Trilhar o caminho da arte não foi fácil para a menina de Araçatuba, interior de São Paulo, sonhadora, criativa e visionária, em uma época na qual ser artista era visto como brincadeira ou com preconceito por algumas famílias.

“Nasci artista. Vim ao mundo com esse ‘defeito’”, brinca, durante entrevista à ZIV Gallery. “Vim a este mundo olhando para as cores, vivendo no mundo da imaginação. Brincava sozinha com as cores, sempre desenhando para me expressar.”

Ilka percebeu muito cedo a dificuldade de trilhar o caminho da arte. Entrou antes dos seis anos na escola e, logo na primeira série, a professora pediu para os alunos escreverem uma composição sobre o pai. Ela preferiu desenhar.

“Eu via meu pai como um homem muito grande, muito bravo, muito vermelho. Aí peguei meus lápis de cor e pintei um pé de pimenta. Era uma árvore bonita com pimentinhas vermelhas, raízes e tudo. Quando a professora viu o desenho, castigou-me com uma espécie de régua de madeira (palmatória). Lembro até hoje daquela madeira batendo no meu braço curtinho. Naquela época, os professores castigavam as crianças. Tudo porque eu não podia ter desenhado meu pai daquele jeito”, narra a artista com jeito altivo e grato, apesar das dificuldades.

Ao chegar em casa, ainda foi repreendida pela família.

 

Ilka Lemos: comunicação pela arte

Ilka Lemos na infância

Ilka Lemos na infância

A escola era um ambiente um tanto inóspito para uma criança de pensamento crítico e voltada para as artes. “A vida inteira minha forma de comunicação foi pela arte. Tive muita dificuldade na escola. Minha irmã mais velha era a primeira em tudo. Eu, na visão da época, era a última. Para tudo eu desenhava. Eu nunca reprovei, estudava, me dedicava, mas não seguia o ideal daquele tempo. Era o patinho feio, a inquisidora”, descreve.

“A caixa de lápis de cor, presente de uma tia aos 5 anos, os fascículos da coleção ‘Conhecer’ e os livros de papai eram meus amigos”, lembra. Também tinha mania de recortar e colar tudo ao seu redor, inclusive cortar as bonecas em pedaços para ver o interior e remontar depois, caso fosse possível.

 

Novo começo no Mato Grosso

Desde a infância, Ilka falava em ser artista, de estudar formalmente artes, mas na metade da década de 1970, em meio à ditadura, a família não aceitou a opção da jovem de seguir a carreira artística, ela acabou casando e indo morar no Mato Grosso, aos 18 anos.

Não se deixou dobrar e mesmo com outros afazeres importantes para a época, desenhava, retravava todos ao seu redor e aprendia sozinha sobre arte e o fazer artístico. Criou os filhos, ajudou a cuidar das crianças da fazenda onde morava, fazia hortas, criava pomares e em nenhum momento deixou de desenhar.

Com os filhos adultos, resolveu estudar seu ofício de alma e começou a viajar para São Paulo e frequentar o curso de Sérgio Fingermann, a quem considera um provocador da arte no artista. “A arte é uma busca de cada um, não tem como ensinar”, expressa.

 

Ilka Lemos: artista em tempo integral

Ilka Lemos

Artista múltipla, Ilka Lemos é escultora, pintora, fotógrafa e escritora.

Perto dos 40 anos, decidiu se separar e mudar definitivamente para São Paulo, onde passou a dar aulas e montou um ateliê. Começou a estudar fotografia, comprou uma máquina fotográfica e um computador. Depois foi fazer esculturas e mais tarde estudou cinema e trabalhou com videoarte.

Depois de tanto tempo impedida de ser e fazer arte, sua sede de aprender e ser artista é como a necessidade de respirar. “Arte é todo dia reaprender. Eu abro os olhos e começo a minha arte, de respirar, de escrever, de falar sobre arte, de viver e de me manifestar nesse mundo”, aponta.

Para aprender novas expressões artísticas, Ilka, além de estudar, se unia a pessoas da área para beber da fonte da experiência.

 

A arte salva

Arte, diz ela, é essencial para a vida por isso em momentos tão duros como a pandemia atual do novo coronavírus ou nas guerras, as pessoas fazem arte, para sobreviver à dureza da realidade. “O afastamento da arte nos torna rígidos, frios, robóticos. A arte nos salva, a cultura nos salva”, ensina.

Durante a pandemia, voltou à sua cidade natal, e se despiu de muitos conceitos: “raspei a cabeça e me vesti de arte”. Em 2020, trancada em casa, com todo cuidado sanitário, comprou 300 quilos de argila e muitos rolos de tela e produziu mais de 30 esculturas, além de 40 telas.

No retorno a São Paulo, também com todo cuidado, em dezembro do ano passado, foi convidada para participar da criação do painel coletivo da ZIV Gallery e se apaixonou pela arte dos jovens criadores da galeria.

Obra de Ilka Lemos

Obra de Ilka Lemos

“Sempre disse: minha obra é para a rua, para o povo no ônibus, no metrô. Nunca gostei de galeria até conhecer o propósito da ZIV e trabalhar com esses artistas. De tantas experiências ao redor do mundo, estudando, aprendendo e expondo muitas vezes, o maior presente foi pintar e trabalhar com os artistas da ZIV. Em breve, quero estar nas ruas com eles. É uma verdadeira fonte da juventude conhecer e viver a arte dos artistas da ZIV”, conta, aguardando a pandemia passar para ir para as ruas, fazer arte.

Com uma trajetória de vida de começos, rupturas e recomeços, de coragem, determinação e reinvenção, Ilka traz em suas pinturas traços fortes e formas igualmente potentes na escultura. Sua série de esculturas sobre guardiões, por exemplo, perpassa pela dor da alma. “O artista cria, mas a arte é feita pelo olhar do outro, de quem vê, observa, sente e ressignifica a obra”, explica.

 

Singularidade respeitada

Ser mulher no mundo da arte já representou dificuldade, como na infância e adolescência de Ilka, mas isso ficou para trás. “Quebrei todos os tabus, venci os preconceitos porque a arte une todos, em qualquer tempo”, elucida. “Somos únicas e queremos nossa singularidade respeitada.”

“Sou muito feliz porque respiro arte e minhas netas podem tudo. Eu também posso tudo, depois de muita luta, por isso, inclusive tatuei uma libélula nas costas, minha primeira tatuagem”.

A imaginação e a criatividade foram o combustível da pequena Ilka e são a fórmula da resiliência e juventude desta artista de muitas faces e talentos, mais uma vez se renovando aos 63 anos.

Conheça as obras de Ilka Lemos na ZIV Gallery.  A ZIV é uma galeria de arte contemporânea, localizada no Beco do Batman, cujo propósito é criar oportunidades e gerar transformações com arte!

 

Galeria de obras de Ilka Lemos:

Clique nas fotos para expandir e navegar.

 

 

 

Beco do Batman: antes do homem-morcego ao hall of fame

Beco do Batman: antes do homem-morcego ao hall of fame

Beco do Batman: museu de arte urbana a céu aberto

Beco do Batman: museu de arte urbana a céu aberto

Por muitas décadas, a viela sem nome, ligando a rua Harmonia à Medeiros de Albuquerque, passando pela rua Gonçalo Afonso, foi um local ermo e escuro, iluminado apenas pela lanterna dos poucos automóveis a trafegar no lugar.

Para a molecada da região, já era, nas brincadeiras, uma referência à batcaverna e, realmente, a região não estava muito longe de parecer uma Gotham City.

Nas décadas de 1950 e 1960, a Vila Madalena era uma região distante do centro e o Beco do Batman, um pedaço ainda mais periférico, com casas simples e esparsas, em meio ao mato.

Nos idos de 1970, alguns novos moradores foram chegando e os filhos dos antigos, nascendo. Na época, o local começou a ser conhecido por “Imporbox”, em referência a uma serralheria, produtora de boxes de acrílico com alumínio.

Localizada na esquina da rua Gonçalo Afonso com a Medeiros de Albuquerque, a empresa logo se tornou o point do vôlei da moçada. Uma grade do prédio se tornou rapidamente a rede de vôlei da turma. “Quatro jogadores ficavam dentro do pátio e quatro para fora”, explica Flávio Pires, morador nascido no Beco. As famílias de seu avô paterno e do bisavô materno foram as primeiras a mudar para a localidade. “Sou morador raiz”, define.

 

O “larguinho” do futebol

Larguinho do futebol

O morador Flávio Pires, natural do bairro, no antigo larguinho do futebol, onde passou a infância.

Por volta de 1975, quando Pires tinha 10 anos, o atual beco era chamado de “larguinho”, onde a moçada se encontrava durante o dia para jogar bola. “A gente colocava dois blocos baianos de cada lado e fazia os gols”, descreve o morador. “Jogávamos descalços no paralelepípedo e quantas vezes não perdemos um pedaço do dedo, chutando o chão”, lembra o primo, Marcelo Jacaré.

Ali, no larguinho, também eram comemoradas as copas do mundo de futebol, com pinturas no chão, muros e bandeirinhas por todo o lado.

“Sem querer e sem saber, começamos a cultura de pintar no Beco”, diz o morador. À noite, a preferência era pelo murão da Medeiros, porque havia luz. Lá também era a escolha quando o jogo de futebol ficava maior.

Futebol, vôlei, lavar o carro por horas e depois desfilar com o possante. Paqueras, conversas regadas à música no murão à noite, dar um pulinho no larguinho escuro para fumar escondido, eram a diversão da molecada, daquela região periférica e simples da Vila Madalena. Tudo normal para a época, mas uma tragédia levou quatro dos meninos embora.

As enchentes sempre foram comuns na região, a ponto de a meninada brincar de surf com prancha de isopor na enxurrada. O larguinho, sempre enchia, e não raro, crateras apareciam perto do murão, na Medeiros de Albuquerque, devido a um rio mal canalizado na região.

Animados com a aventura, os jovens entravam na cratera, com vela e pizza nas mãos e caminhavam pelo interior das galerias pluviais, com água na altura da canela, passando por baixo do larguinho, ao lado do cemitério, em frente ao Beco do Aprendiz, seguindo até a rua Fradique Coutinho, de onde o túnel vai para a av. Rebouças até desembocar no Rio Pinheiros. Tudo por baixo.

Em um domingo, Pires e o primo resolveram almoçar antes de ir com os amigos para as galerias. A meninada, em geral com 10 anos, se antecipou e entrou na  cratera aberta com as chuvas fortes de dias anteriores e, infelizmente, foi surpreendida por uma tromba d´água, naquele momento, em um bairro acima. Todos foram levados pela forte enxurrada e não se salvaram. “Foi uma tragédia noticiada em toda cidade”, recorda Pires, um dos sobreviventes, porque foi almoçar primeiro na casa da avó.

Do larguinho ao polo artístico

Graffiti do Beco do Batman

Graffiti do Beco do Batman

Os anos passaram e estudantes da USP foram chegando ao bairro, alugando casas, frequentando bares e restaurantes e tornando o local em um polo artístico e cultural. Nas décadas de 1980 e 1990, o local chamou atenção de artistas como Zé Carratu e seu grupo, o Tupinaodá, o primeiro coletivo de arte urbana do Brasil.

Alex Vallauri, o pioneiro do graffiti no Brasil, e os integrantes do Tupinaodá foram os primeiros a grafitar o beco, na transição do larguinho de futebol, antiga casa da Imporbox, para o “hall of fame” do graffiti em São Paulo. “Éramos artistas de rua, não grafiteiros, esse nome não existia ainda”, aponta Carratu. “A gente pintava a Vila Madalena inteira.”

Até ali, ainda não existia o famoso Batman, feito em estêncil, localizado em uma parede à direita da viela, vindo da rua Harmonia, em uma inclinação, antes de chegar ao larguinho, conforme descreve Carratu, por telefone. Um dos desenhos do Tupinaodá no Beco estampou o álbum “Na calada da noite”, do Barão Vermelho, lançado em 1990.

Antes do Batman, uma imagem do Spirit, dos quadrinhos, também foi feito por lá, recorda-se Carratu.

 

Batman, o nobre desconhecido

Beco passa a ser a casa do Batman e do graffiti

Beco passa a ser a casa do Batman e do graffiti

Sobre o desenho do Batman, propriamente dito, estampado perto do fim da década de 1980, pós-Carratu, Tupinaodá e Vallauri, o autor é incerto, quase como uma lenda urbana. Carratu cita dois garotos de São Caetano do Sul, há quem cite um cenógrafo, bastante reservado sobre a questão, e há ainda outras suposições sobre grafiteiros da época.

A figura, surgida da noite para o dia no local, assinalou a transição natural do pedacinho de bairro simples para galeria de arte urbana a céu aberto. “A virada foi natural”, considera Pires, com a chegada de estudantes e o interesse de artistas e formadores de opinião pela Vila Madalena.

 

Beco do Batman em março de 2021, com novos graffitis

Beco do Batman em março de 2021, com novos graffitis

Beco do Batman, o hall of fame do graffiti

Nas décadas de 1990 e 2000, os graffitis foram cada vez mais tomando conta do agora Beco do Batman, chamando atenção de toda a cidade e levando o local a ser um dos principais polos turísticos da cidade.

Em 2015, a viela foi fechada para carros e em 2016 ganhou iluminação noturna.

Enivo tem graffitis desde 2001 no Beco e o considera o “hall of fame” da arte urbana paulistana. Ele atribui à “velha guarda” de grafiteiros, a “geração psicodélica”, de grandes artistas, com obras abstratas, coloridas, chamativas, com integração das pessoas na arte, mais bem elaboradas, à efetivação do Beco como ponto turístico da cidade. “Eu vinha do Grajaú para ver ou buscar espaço para pintar no Beco. Estar ali tem uma simbologia forte, todo mundo quer ocupar aqueles muros”, avalia.

Atualmente, um grupo de artistas cuida dos muros, mudando constantemente os trabalhos e criando um Beco sempre novo para os visitantes da região. Um acordo entre os grafiteiros garante apenas ao próprio artista a possibilidade de mudar sua obra ou autorizar outro a pintar no lugar.

 

Repúdio

Mudando totalmente o ar colorido e artístico do Beco do homem-morcego, no dia 28 de novembro de 2020, a região amanheceu de luto e as obras foram cobertas com tinta preta, em total repúdio à morte violenta do artista e produtor cultural Wellington Copido Benfati, de 40 anos, o Nego Vila Madalena.

Renascimento do Beco do Batman

Batman, hostess da ZIV Gallery

Batman, hostess da ZIV Gallery

Aproximadamente dois meses depois, os artistas reuniram-se e renovaram, pela primeira vez, todos ao mesmo tempo, os graffitis, dando nova vida ao Beco do Batman, em 2021.

A viela não é mais escura, parecendo a famosa batcaverna, e, agora, colorida e iluminada, dia e noite, recebe turistas brasileiros e estrangeiros, apaixonados pela arte de rua, pelo graffiti, homenageado no Brasil, no dia da morte de seu pioneiro, o etíope radicado no país, Alex Vallauri.

O misterioso homem-morcego original, dos anos 1980, não existe mais. Contudo, há referências a ele por todo lado. Seja como hostess da ZIV Gallery, marca na janela de um sobrado ou em muros da região, Bruce Wayne vive, mesmo sem ser descoberta sua verdadeira identidade.

Na nova fase do Beco do Batman, novas atrações confirmam o potencial artístico-cultural da região, como a ZIV Gallery. A ZIV é uma galeria de arte contemporânea, localizada no Beco do Batman, cujo propósito é criar oportunidades e gerar transformações com arte!

 

Conheça um pouco do Beco do Batman em nossa galeria de fotos de março de 2021:

Clique nas fotos para expandir e navegar.